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Elsa Moura

Regional 09.02.2020 00H44

Parque Ecomonumental com quatro entradas e bacia de retenção

Escrito por Elsa Moura
Versão preliminar do Plano de Urbanização e respectivo projecto paisagístico apresentados este Sábado, 8 de Fevereiro, no Museu D. Diogo de Sousa.

Já é conhecido o projecto preliminar do Parque Ecomonumental das Sete Fontes. Vai ter quatro entradas, uma bacia de retenção, edificado nas portas do Parque, um passadiço pedonal de acesso à UMinho e permitirá a extensão da estrada de acesso ao Hospital de Braga, que continuará, junto à zona verde, permitindo a ligação ao centro da freguesia de Gualtar. 


A versão preliminar do Plano de Urbanização e o projecto paisagístico foram apresentados este sábado, no Museu D. Diogo de Sousa. Mais uma vez, os principais proprietários manifestaram-se contra a estratégia da autarquia, acusando mesmo os responsáveis de falta de transparência.


A sessão de abertura contou com a intervenção do presidente da autarquia, Ricardo Rio, que assumiu que este é um percurso "longo" e de "muitas batalhas" com juntas de freguesia, cidadãos e associações e em que o município de Braga não desistirá de trabalhar no diálogo com os proprietários.


Prestes a concluir as negociações para a obtenção dos primeiros terrenos, Ricardo Rio já assume que Braga terá o Parque Ecomonumental das Sete Fontes, que será disponibilizado "de forma faseada", no futuro.


Rio disse também que "muita gente não acreditou", mas a concretização do parque vai ser uma realidade.


O Parque Ecomonumental terá quatro portas de entrada e atravessamentos, um espaço que irá precisar de "pessoas à volta" e de segurança, daí que se perspective, na zona mais próxima do Retail Park, um edifício, que será de maior dimensão, mas outros irão surgir também nas imediações das restantes entradas. Mais perto do Hospital de Braga, noutra das portas de acesso ao Parque, poderá vir a ser instalada uma creche e um jardim-de-infância, assim como serviços complementares na área da saúde.


A estrada de acesso ao Hospital de Braga será prolongada, permitindo uma ligação ao centro da freguesia de Gualtar e 'ajudando' a resolver os constrangimentos de trânsito verificados nas imediações.


Jorge Carvalho, chefe da equipa de urbanistas contratada pela autarquia para conduzir o processo até ao fim, vincou que "as regras do jogo estão estabelecidas" e foram encontrados os caminhos para a execução, cabendo agora aos diferentes proprietários dialogar e negociar dentro desses mesmos limites.


A bacia de retenção é uma das novidades. "Poderá preservar ao máximo o existente e utilizar a quota baixa para a formalização de uma bacia de retenção que pode atenuar a carga hidráulica que acontece naquele território e, ao mesmo tempo, tornar-se o elemento mais diferenciado junto à zona do retail", explicou um dos elementos do grupo de trabalho.


Serão também “introduzidos miradouros” , mas através do que já existe, ou seja, zonas rochosas de quota mais alta. Permanecerão intactas duas quintas existentes na zona do EcoParque.


Uma das características do projecto passa pela ligação à envolvente. A ideia é "aproximar a Escola de Medicina, através de um passadiço pedonal, ligando também ao Bairro da Alegria. O edifício mais alto será construído nas imediações do retail. “É um ponto de excepção e é a parte arriscada", assume Jorge Carvalho.


Nas zonas de entradas estão previstas praças, umas de maior dimensão que outras, estabelecendo a relação entre a cidade e o Parque. Tal como o Parque de estacionamento do Retail Center, o estacionamento do Hospital mais a norte, poderá também vir a ser aproveitado pelos utilizadores do parque ecomonumental.

Entre o Colégio das Sete Fontes e o parque a ideia passa por implementar algumas regras, entre elas, velocidade máxima de 30km/h.


Teresa Andreson, coordenadora, anunciou ainda que além dos serviços de educação, saúde e habitação, o parque terá um restaurante e escritórios. No interior do Parque as vias pedonais serão paralelas, uma de cada lado do Monumento.


Já o muro de acesso ao hospital, poderá ser aproveitado para uma parede de escalada. A fábrica que existe mais a norte do Parque será entretanto removida e os proprietários compensados "devidamente" para que possam continuar a sua actividade num outro local.


Jorge Carvalho foi taxativo: “ Fechamos uma etapa com transparência. Podemos agora fechar as negociações e passar para a construção", anunciou.

Miguel Bandeira, por seu turno, explicou que se trata de um processo de discussão pública "aberto e transparente, mas complexo". Referindo que os passos "têm sido consistentes", o vereador do Urbanismo disse também que "não são tão rápidos como gostaria".


Maiores proprietários continuam a reivindicar valores mais altos à CMB

No momento dedicado às intervenções do público, a representante de um dos proprietários com a maior parcela de terrenos arrasou a equipa técnica e a Câmara Municipal de Braga. Célia Borges referiu-se ao processo como sendo "duvidoso", "nada transparente", que culminou na segunda sessão pública preparada "para nada".

“A ideia que está aqui a ser passada não vai resultar nalguma coisa nos próximos tempos. Já são mais seis anos, mas vamos ter muito mais. É esta a realidade. O plano de urbanização supõe o acordo com os proprietários, mas claramente não está aqui a ser apresentado", atestou. 


“Só sabemos de desenhos bonitos, não sabemos o que está aqui a ser apresentado. Percebemos hoje que a alguns proprietários sai a fava e a outros sai o brinde”, criticou.


Ermelando Sequeira, proprietário também usou da palavra. O empresário avisou que "o parque nao pode ser à custa de meia dúzia de donos dos terrenos”.


Na resposta, Miguel Bandeira recordou que antes de 2013 o que estava previsto para aquele terreno era urbanização de índice máximo. "Estamos aqui numa atitude transparente. Nunca processos desta envergadura tiveram tantos escrutínios públicos como o que hoje está a acontecer", defendeu.


“A história vai ser feita. Não é um processo rápido ou simples, tem muitos intervenientes”, por essa razão a CMB entregou o processo a uma equipa isenta e respeitada", vincou.


Também Jorge Carvalho assinalou que "há coerência e transparência desde o início em todos os domínios".


ASPA apela à compreensão dos proprietários

A ASPA esteve também representada na sessão deste sábado no Museu D. Diogo de Sousa. Teresa Barbosa, recordou que o processo começou há 25 anos, em 1995, quando a ASPA pediu a classificação da referida área. Um regresso ao passado para alertar os proprietários daqueles terrenos que "não era do desconhecimento de ninguém". "Estava tudo muito claro. Aquilo era uma área protegida pela lei do património. É uma pena apenas que tenha sido ali construído aum hospital ou o parque verde seria ainda muito maior", explicou. Lembrando que o Parque Ecomonumental das Sete Fontes "será muito importante para a sustentabilidade do território concelhio e contribuirá para o bem-estar das gerações vindouras, Teresa Barbosa apelou aos proprietários que "adiram a este processo porque se trata de um processo de interesse público".


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