Recomendação da CE tem apenas um “impacto simbólico” nesta fase

Segundo a professora de Relações Internacionais da Universidade do Minho, Sandra Fernandes, o impacto no desfecho da guerra dependerá “do apoio financeiro e com armas à Ucrânia”.

Para Sandra Fernandes, a recomendação da Comissão Europeia ao Conselho Europeu para que seja concedido à Ucrânia o estatuto de país candidato à adesão à União Europeia (UE) tem apenas um “impacto simbólico”, nesta fase.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse, esta sexta-feira, que Moscovo vai acompanhar de perto a candidatura da Ucrânia à União Europeia, porque “requer atenção redobrada”. “Estamos ao corrente da intensificação das discussões na Europa sobre o fortalecimento da componente de defesa da UE”, acrescentou.

No Twitter, o presidente ucraniano referiu que este “é o primeiro passo no caminho da adesão à União Europeia que certamente vai aproximar a Ucrânia da vitória”.

Segundo a professora de Relações Internacionais da Universidade do Minho, o impacto no desfecho da guerra dependerá “do apoio financeiro e com armas à Ucrânia”

A docente não tem dúvidas de que o processo de adesão da Ucrânia terá que ser muito diferente dos anteriores.

“A ideia da Europa é abrir os braços à Ucrânia. No entanto, terá que ser um processo de adesão muito diferente dos anteriores, uma vez que a UE vive uma realidade inédita e o processo de adesão, tal como vinha a acontecer, é longo e muito técnico”, explicou. A responsável referiu ainda que “esta parte mais criativa terá que ser inventada pela União”.


O estatuto de candidata à União Europeia depende da unanimidade dos 27 estado-membros da UE, que será discutida a 23 e 24 de junho.

A esta distância temporal, e vivendo “tempos muito movediços”, é “difícil dizer se a unanimidade vai ser conseguida”. “Há países que apoiam plenamente, mas temos que aguardar pelo que outros países, como a Hungria, vão dizer”, acrescentou.

A especialista acredita que sem a invasão russa o processo de alargamento da União Europeia não seria tão imediato. “O processo de alargamento à UE, antes da guerra, estava encalhado. O alargamento era um objetivo muito difundido no tempo e esses países por muito que convergissem, em termos de reformas e aproximação política, nunca veriam esse desejo realizado. Ucrânia, Balcãs, Moldávia, Geórgia.. as perspetivas estavam no mínimo proteladas num horizonte indefinido”, finalizou. 


Partilhe esta notícia
Liliana Oliveira
Liliana Oliveira

Ex. Membro

Deixa-nos uma mensagem

Deixa-nos uma mensagem
Prova que és humano e escreve RUM no campo acima para enviar.
Abel Duarte
NO AR Abel Duarte A seguir: Leitura em dia às 09:45
00:00 / 00:00
aaum aaumtv