Regional 01.04.2025 15H40
"Conta mais para a nossa segurança a capacidade para armazenar dados, do que para construir bombas”
Mariana Mortágua esteve, esta terça-feira, no campus de Azurém da Universidade do Minho, para conhecer o Deucalion.
Mariana Mortágua não tem dúvidas de que hoje em dia conta mais a capacidade para armazenar dados que a de construir bombas. A líder do Bloco de Esquerda esteve esta terça-feira no campus de Azurém da UMinho, para visitar o supercomputador Deucalion.
“Hoje em dia, fala-se muito em segurança e defesa, mas conta mais para a nossa segurança a capacidade para armazenar dados, para ter processamento de dados, do que propriamente a capacidade para construir bombas”, disse, esta terça-feira, a coordenadora nacional do BE.
Mortágua aponta o Deucalion “um exemplo de um supercomputador que fornece serviços a várias investigações e também a start-ups”. Para a bloquista, é tão importante o acesso a um supercomputador, como “ter acesso a água e a luz para uma empresa funcionar”. “Ou o Estado tem capacidade para garantir a sua soberania, ou corremos o risco de depender centros de dados externos, que não garantem a segurança, para guardar os nossos dados pessoais”, frisou. Nesse sentido, para o Bloco de Esquerda, “é importante ter infraestruturas públicas de processamento, como este supercomputador ou de armazenamento de dados, como os centros de dados públicos”. “O futuro da economia é isto, mas o futuro da segurança também é isto. Soberania, no século XXI, quer dizer supercomputadores e centros de dados. Portugal tem que garantir a sua”, afirmou a líder do Bloco.
BE defende abolição da propina e carreira científica estável
Ainda em matéria do Ensino Superior, Mariana Mortágua lembrou que o BE defende a abolição total do valor das propinas. “É possível descer as propinas. Conseguimos a primeira redução das propinas desde que elas começaram em Portugal e devemos caminhar por um sistema de propinas zero, sabendo que, neste momento, essa não é só a única preocupação dos estudantes, uma vez que a habitação é provavelmente a principal preocupação”, acrescentou.
A estabilidade da carreira científica é também uma ambição dos bloquistas. “Estamos a perder os quadros mais qualificados que acabam por sair do país à procura de outras oportunidades. É preciso criar lugares de investigação que sejam permanentes, que sejam estáveis e com salários adequados às qualificações das pessoas, o que não tem acontecido”, criticou. Além de infraestruturas como o supercomputador, a Mariana Mortágua lembra a necessidade de “haver financiamento e contratos de investigação que sejam bem pagos”. “Só assim é que conseguimos reter todas as pessoas que estamos a formar, porque estamos a formar gente com muita qualidade em Portugal”, finalizou.