Regional 31.03.2025 16H01
Trabalhadores da APPACDM voltam à rua. Direção sem data para pagar subsídios
"É o culminar do descontentamento dos trabalhadores que vivem uma instabilidade diária e prestam serviços essenciais à comunidade" disse à RUM a dirigente sindical do CESP que promoveu esta ação.
Dezenas de trabalhadores da APPACDM de Braga voltaram a sair à rua para uma marcha de protesto que pretende alertar para a necessidade de pagamento de subsídios em atraso relativos a 2024. Desde o Lar Residencial de S. Lázaro até à porta do Centro Distrital da Segurança Social de Braga ecoaram frases de protesto pelas ruas da cidade, antecipando um agravamento da situação nos próximos meses. A iniciativa foi organizada pelo CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal com os trabalhadores e o sindicato a exigirem à direção que pague os subsídios em falta, sugerindo até a apresentação de um plano prestacional. Temem que a situação se repita com o subsídio de férias de 2025 e que o mesmo possa acontecer com salários. Entre os trabalhadores afetados, alguns deles estão a reviver uma situação que experienciaram pela primeira vez há catorze anos, noutro período difícil da instituição e em que além de subsídios, os trabalhadores tiveram também salários em atraso.
A APPACDM de Braga possui atualmente sete Complexos para atendimento direto, maioritariamente pessoas com Deficiência Intelectual e Incapacidade, distribuídos por diferentes concelhos do Distrito de Braga: – Braga; Esposende; Vila Verde e Vila Nova de Famalicão garantindo uma resposta a 300 utentes da região.
As dívidas da instituição foram contraídas por direções anteriores, mas a fragilidade financeira da instituição é um dos argumentos para que a atual presidência, dirigida por Bruno Silva, não se comprometa com a regularização destas dívidas aos trabalhadores.
Questionadas pela RUM, algumas das trabalhadoras presentes na ação de protesto garantem que os salários têm sido pagos e que o material necessário para a execução das tarefas também não tem faltado, mas vivem na incerteza do dia seguinte. Consideram também que a direção atual, presidida por Bruno Silva, deve ser "mais transparente" na comunicação. "A direção não tem tido uma postura colaborante. As reuniões pouco ou nada transmitem, apenas que não há dinheiro e não há perspetiva de evolução para que estes trabalhadores possam rever estes subsídios em atraso", declara à RUM a dirigente do CESP, Ana Rodrigues.
"Para já estão os subsídios, mas chegam-nos denúncias de instabilidade no processamento dos próprios salários, o que nos faz acrescer a nossa preocupação", acrescenta.
Sílvia Antunes, trabalhadora da APPACDM de Braga há 26 anos, lamenta a falta de perspetiva de pagamento do que lhe é devido depois de já ter passado por uma situação semelhante há 14 anos. "É triste e não merecíamos. Espero que não seja pior, mas tenho medo. Nós queremos que nos apresentem um plano de pagamento aceitável, mas não temos previsão de nada e temos receio para 2025", desabafa.
Centro Distrital da Segurança Social "deve ser mais ativo no acompanhamento às instituições" - CESP
Na opinião da dirigente sindical, a segurança social "tem responsabilidade e não pode ficar alheira, deve ter uma mão firme junto das instituições". "Temos uma panóplia de situações e a segurança social poderia ajudar mais, aliviar a instituição para poder respirar", sugere, referindo-se à dívida que está atualmente a ser cobrada junto da própria APPACDM de Braga. "Queremos saber o que é que a Segurança Social está a fazer para não chegarmos ao fundo do poço", continua.
A acompanhar estes trabalhadores surgiu a irmã de uma utente. Fez questão de associar à ação de luta notando que os familiares "percebem a realidade da instituição" e que os trabalhadores precisam deste "apoio". "Estas senhoras merecem tudo, elas são muitas vezes as mães dos nossos filhos", realça.
"Direção não se pode comprometer com data para pagar subsídios em atraso"
Contactado pela RUM, o presidente da direção da APPACDM de Braga, Bruno Silva, garante que a sua equipa está a trabalhar para encontrar soluções para um problema "difícil" e vinca que se esta direção não tivesse assumido funções a instituição teria fechado as portas. Lamenta os atrasos, mas refere que a complexidade financeira da instituição, que pretende reerguer, não se compadece com um compromisso com data marcada para o pagamento destes subsídios em atraso ou com um plano prestacional de pagamento.
A PSP de Braga acompanhou o protesto pacífico até à porta do centro distrital.